30 de novembro de 2010

Portal de Amarante-PI

Portal de Amarante-PI

AMARANTE NOSSA DE CADA DIA, ESTRÉIA COM SUCESSO EM AMARANTE.


A “I Mostra Teatral Polivalente” encenou no dia 26 de novembro na Câmara Municipal de Amarante e também no Colégio Polivalente com a estréia da peça “Amarante nossa de cada dia”. Um texto que conta de forma livre a história de Amarante, um texto bem humorado e com fundamentos históricos que são base da pesquisa feita pelas autoras Josélia Soares e Selma Bustamante que escreveram e produziram a peça nos meados da década de noventa, tendo sido um grande acontecimento da época e que resultou em diversas ações culturais existentes até hoje. O próprio fato de retomarmos a peça representa um forma de resistir culturalmente, tendo em vista que Amarante é um das grande referencias estadual de cultura e arte. Para o projeto foram inscritos cerca de 100 alunos, destes 28 integraram a montagem final, o processo durou cerca de seis meses com aulas e ensaios nos fim de semana com o professor e coreógrafo Valdemar Santos e a coordenação de Selma Alves, ambos integrantes da primeira montagem da peça com o grupo de Teatro "Amarantus”.







A peça, de autoria de Josélia Soares, tomou forma e ganhou vida na interpretação das personagens minuciosamente trabalhadas por Valdemar Santos e Selma Alves que contou a história das origens de Amarante. O grupo teatral está sendo implantado com incentivos do PDE, Plano de Desenvolvimento da Educação, e anualmente, a nível projeto escolar, estará sendo renovado com novos alunos e novas peças.





[VALDEMAR SANTOS – Diretor da Peça] - Quando a gente conhece a nossa história, adquire fundamentos para melhor valorizar e apreciar o teatro que é uma ferramenta que requer muita dedicação e concentração. Com essa peça, um dos nossos principais focos é fazer com que a cidade se volte para si usando essa ferramenta imprescindível que é o teatro. Cabe a nós mesmos reconhecer que cultura é caso de vida ou morte porque ela faz com que a sociedade tenha uma outra visão sobre a vida. Amarante se perdeu um pouco culturalmente falando, mas iniciativas como essa são de grande valia para que a cultura ganhe credibilidade na sociedade e o teatro tenha o seu espaço garantido.


mais detalhes acesse: http://www.meionorte.com/amarante



22 de novembro de 2010

Musical Palmares



Encontra-se em pleno vapor a montagem do MUSICAL PALMARES, um projeto da Organização Ponto de Equilíbrio vencedor do Prêmios Idéias Criativa para as comemorações no mês da Consciência Negra. O prêmio foi concedido pela Fundação Palmares sendo o único contemplado no Nordeste, o que nos deixa felizes e acreditando ainda mais no nosso potencial artístico/profissional.

O Musical tem estréia marcada para dia 30 de novembro as 19h no Adro da Igreja São Benedito, a unica igreja no Brasil que tem um santo negro como padroeiro. O musical conta com a maioria do elenco formado por artistas piauienses negro com destaque na dança, teatro e musica, motivo de orgulho por estarmos representando não apenas uma cultura mais todos os Negros. A direção geral do projeto é da dupla Valdemar Santos e Luis Carlos Vale, coreógrafo Valdemar Santos, assistênte de coreografia Elizabeth Battali, diretor musical Saquá e Figurista Danilo França.

No elenco estão, Kleo de Santis, Juliana Marcia, Mikael Rodrigues, Cleide Fernando, Zé Carlos de Santis, Nayara Fabrícia, Marcos André, Elizabeth Battali, Fernando Freitas, Ricardo Totte, Saquá, Beth Moreno e Coisa de Nêgo.

O roteiro conta na dança e no canto a história do povo negro. De forma cronológica mostramos nossa trajetória a cultura e a resistência, é um trabalho repleto de ritmos, cores e sentimentos é sem dúvida uma belíssima homenagem a nossa cultura.

18 de novembro de 2010

17 de novembro de 2010

O Corpo Negro na Dança Contemporânea Brasileira


1) O que te levou a dançar?
A dança me tocou aos seis anos de idade, nasci numa cidade do interior do Piauí chamada Amarante, lá desde muito cedo tive contato com manifestações folclóricas como a dança do cavalo piancó, bumba meu boi, divino e o pagode do mimbó, sempre me chamou muita atenção o movimento e me mover sempre foi um grande prazer. Em todos momentos da minha vida a dança esteve presente e sempre me moveu literalmente. Em Amarante crie um grupo de dança quando tinha 15 anos com algumas amigas da rua e fazemos muitas apresentações, fui autodidata e tinha facilidade de me mover e de criar coreografias. Foi pra continuar dançando que aos 19 anos me mudei para Teresina e iniciei de fato os estudos em dança, Escola de dança do Estado foi minha primeira formação de quatro anos de balé clássico. Na vivencia em companhias fui primeiro do Balé Popular do Piauí por dois anos, depois Balé Folclórico de Teresina por cinco anos e mais tarde um grupo independente Cia. Equilíbrio de dança que estou ligado até hoje e a dois anos se transformou na ONG Ponto de Equilíbrio com sede em Teresina.

2) Como foi/é a sua atividade profissional no contexto da dança contemporânea brasileira?
Depois de dez anos estudando e dançando em Teresina me transfiro pro Rio de janeiro onde fico por um ano me especializando em Dança na Faculdade Angel Viana isso em 2004/2005 e foi ai que tive mais contato com a dança contemporânea e pude ver de perto a produção brasileira e ter contato direto com os artistas também. Me interessou muito investigar o movimento e sempre tive o lado criador aflorado, quando descobrir que existia outras forma de pensar e conceber dança me sentir realizado. Desde então venho na busca para desenvolver um trabalho que me questione, que me tire do comodismo, me estimule e desafie criativamente. O processo de criação me realiza também cada vez mais e tenho apostado em processos coletivo e de curta duração nos últimos projetos solos, tentando buscar no exercício da criação outra dinâmica, partindo do principio de que um trabalho desenvolvido em duas ou três semanas possa ter consistência. Entendo isso como um fenômeno da dança contemporânea que pode trazer mais dinamismo e frescor ao meu trabalho. É difícil pra mim listar as minhas atividades no contexto nacional acredito mais numa atuação local, como por exemplo: os projetos Corpo Inclusivo, Nação Tremembé, estudo sobre o corpo nº 0224 e Ponto de Cultura de Amarante que são atividades de formação de público para a dança no momento.


3) Fale um pouco sobre a sua vivência nesse contexto?
Penso ter respondido essa questão na anterior...?

4) O que tem a dizer sobre o seu convívio com colegas, grupos/cias. de dança e platéia?
Por aqui venho construindo uma relação de troca com conversas e bate papos antes e durante os espetáculos com a platéia isso certamente contribui num melhor entendimento e convívio, sinto que a platéia tem ainda preconceito com a dança contemporânea e que sempre associam a dança a coreografias sincronizadas e acrobáticas, mais aos poucos nesse quatro anos de trabalho e com o Núcleo do Dirceu o convívio tem melhorado.
Com os colegas e grupos venho buscando desde 2007 realizar mais ações em parceria e conseguindo inúmeros resultados positivos, a realização por três anos da mostra Piauí Dança que acontece no dia da dança em abril, tem sido uma ação sólida que cresceu muito e contribuiu para os artistas pensar e realizar ações em parceria instaurando um estado de classe nunca antes existido. O evento esse ano durou mais de doze horas e teve mais grupos envolvidos foram 23 no total. A ONG Ponto de Equilíbrio tem dois anos de atuação e já realizou vários eventos que juntou para discussões, trabalhos e confraternização os profissionais e amantes da dança, somos hoje referencia no sentido de aglutinar os profissionais de Teresina e conseguimos manter uma relação boa com todos.

5) Durante a sua formação, você teve referência/influência de bailarinos/as, coreógrafos/as, professores/as negros/as brasileiros/as? Poderia citar alguns/mas?
Sim, minha cidade natal fica do lado do Mimbó que é o único quilombo do Piauí e um dos pouco existentes/resistentes nos Brasil, uma das primeiras dança que aprendi foi o "Pagode do Mimbó" dança de origem africana e muito ritmada com variações de pisadas de pé no chão, a percussão corporal é introduzida na dança e isso se dançava a noite inteira na época dos festejos e semana santa, Foi com a negra Deuzuita minhas primeira aulas dessa dança, depois Veio a Nêga Ana coreógrafa de Amarante com quem me apresentava em alguns eventos locais, em Teresina tive grande parte de minha formação com Luzia Amélia uma referencia local de negritude e dança. Com o Bloco Afro Cultural Coisa de Nêgo pude ter mais contato com a dança afro e acabei desenvolvendo alguns trabalho entre 2006 e 2009 com os mestres desse grupo. Como inspiração posso citar Michael Jackson, Bombom, Caju, Castanha, Sebastian, Globeleza e Pelé.

6) O que você poderia dizer sobre a presença do/a negro/a no mundo da dança contemporânea brasileira?
No Brasil a presença de destaques negros no cenário nacional é incipiente, no sentido de participação em grandes festivais e eventos praticamente inexistente, sendo isso reflexo da falta formação e estímulo. Conta-se nos dedos os destaques negros na dança contemporânea brasileira embora, sinto que exista uma discriminação maior no sentido regional, dependendo de que região do país você é, tem-se um olhar e tratamento diferenciado sobre o profissional e seu trabalho.

7) Como você vê o/a negro/a na dança contemporânea brasileira (escolas, universidades, grupos/cias. de dança, por exemplo) nos dias atuais?
A dança contemporânea brasileira reflete claramente nossa sociedade, os negros tem conquistado seus espaço e a sua qualidade e potencial não são mais questionados como antes, vejo o Brasil como um país que vem melhorando aos poucos a forma como trata seus negros e tem sido cada vez mais evidenciado e valorizado a importância da mistura racial na nossa formação é justamente isso que nos faz esse povo tão diverso e rico culturalmente. No Brasil tem sido cada vez mais difícil se definir quem não é negro. Eu acho!


P.S. Entrevista de Valdemar Santos para Wagner Carvalho, coordenador do Move Berlim - Festival de Dança Contemporânea Brasileira que acontece na Alemanha.

15 de novembro de 2010

Avaliação Colaboratório 2010



Sábado sem sol 10h de uma manhã linda no Rio de Janeiro, estamos nós no Museu da Republica avaliado os sete meses de trabalho dentro do Projeto Colaboratório 2010. Cansados depois de muito trabalho ao longo do ano... O desgaste emocional evidente, o desafio de está juntos interagindo, as diferenças que se evidenciaram, as imposições, a clareza e falta de clareza nas propostas, o estímulo mútuo, os apegos e “predileções”, agora avaliar tudo é importante e necessário. Foi bom poder ter ali um lugar pra entender o processo na cabeça do outro no fim dessa jornada tão intensa e rica. Foi uma pena não estarem todos colaboradores, mais entendo que em meio ao Panorama e com tantas atividades acontecendo simultaneamente ficou impossível juntar todos, o que não desmerece a importância do nosso ultimo encontro formal, agora cada um volta pra sua realidade para sua cidade, seus trabalhos e desafios de continuar seus caminhos.

Quero começar retomando o momento em que soube do projeto, li o edital e comecei a escrever minha proposta. Na época tinha muito o interesse e a curiosidade na possibilidade de criar em coletivo, tinha também um desafio de me colocar disponível para novamente trabalhar em um grupo tão numeroso e “parafraseando Vitor” muitos matizes. Lembro que se instaurou no primeiro encontrão em Luis Correia uma ansiedade de colaborar de entender como se colocar diante desse exercício que exige muitas entregas e abandonos. Na prática exercitamos a articulações entre eu e o nós, uma sintonia que acontece de várias maneiras, uma dinâmica coletiva só se cria ao longo do tempo e no caso do colaboratório foi necessário nos adaptar com mais frequência a essa mudanças, pois o processo era muito dinâmico com troca de cidades e de orientadores a cada nova residência, nos fazendo compreender melhor a distinção de trabalho, escolha e potencia na interação de idéias. Lá também se instaurou o fantasma da criação coletiva, era necessário aprofundar suas propostas inscritas assim como interagir nas propostas alheias com o perigo de cair na mediocridade, pois existe uma falsa idéia de que mostra um processo coletivo é qualquer coisa, e se cai facilmente na obscuridade, já que se trata de um “processo” se tira dali a expectativa de algo pronto, o que pode ser uma grande armadilha. Como dar o devido peso as coisas? Que energia é necessário ter para, por exemplo, desenvolver e mostrar um processo? E se for um espetáculo? Sei que perguntas como essa são muito complexas e continuaremos buscando-as, até por que nos foi necessário entender e buscar o esforço devido para que a todo tempo os processos saíssem da potencia e se transformassem em ação.




Muitas vezes as idéias não se estabeleciam como processos e ficaram frágeis por um longo tempo, a autonomia fica inconsistente e a ação criativa e de definições de cada projeto pessoal se estrutura de muitas maneiras, na motivação tanto pessoal quanto do coletivo, em entender a si e o coletivo, a idéia de transito livre entre os processos. Tudo pode vir a fragilizar algumas propostas e/ou fortalecer outras. Quero levantar uma questão importante para as próximas edições. Como podemos descobrir mecanismos e condições favoráveis para que o colaboratório chegue mais forte ao final? Como embutir um estado de autonomia individual que reverbera no coletivo e respeito ou trabalho do outro? Penso que nas próximas edições o processo seja mais curto e mais intenso a exemplo das imersões onde estávamos disponíveis e com condições igualitárias de trabalho e dedicação.

Lembro quando começamos esse processo todos estavam entregues as novidades isso é natural, a convivência desgasta e levar as relações com ética e respeito pelo outro pode ser difícil com a rotina. Pra mim por tanto está em coletivo é me motivar mutuamente e se deixar contaminar, se deixar envolver pode ser mais fácil para alguns que para outros. O certo é que às vezes se faz necessário mais que uma opinião é preciso se aprofundar mais na questão e fazer uma analise mais critica da situação. Para se colocar como artistas é fundamental entender o que o motiva a ser artista, é crucial entender que o artista trabalha com relação ao tempo presente, isso deve ter relação direta com a forma de como esse artista se relaciona com os conflitos e problemas que ele elabora do seu presente. Existem várias formas de problematizar esse contexto, sendo mais amplos com as relações que temos tentamos sempre identificar os próprios desejos transformando-os na sua realidade, na prática artística existe sempre presente questões referentes a aspectos políticos e sociais com mesmo peso nos dois contextos. O que identificamos, diagnosticamos, cutucamos, ferimos, ou evidenciamos no nosso presente é então o resultado da nossa arte.

Fecho esse processo feliz e com certeza da “missão” comprida, satisfação de fazer parte desse projeto tão rico que certamente engrandeceu minha formação artística, me abriu para novas possibilidades e me deu novos amigos de profissão. Parabenizo a toda equipe de coordenadores e produtores. Agradeço pela contribuição e atenção dos orientadores e principalmente agradeço a possibilidade de trabalhar com artistas tão diferentes e re-descobrir o sentido da colaboração, estou agora em Teresina num feriado de chuva calma e clima ameno. Acaba o colaboratório 2010 formalmente, mais me deixo sempre aberto e disposição e sei que manteremos mais contatos, é apenas o começo de muitas possibilidades.

Valdemar Santos, Teresina 15 de novembro de2010.

9 de novembro de 2010

No Panorama 2010



Segue em pleno vapor o Festival Panorama do Rio de Janeiro, estou aqui pra apresentar o resultado do projeto Colaboratório nos dias 09, 10 e 11 de novembro no Teatro Cacilda Becker. Tem sido um grande oportunidade de troca de informações e contatos. A festa de abertura foi no `Parque Lage fiz lá a "maratona de dança" performance que fico dançando por três horas sem parar, foi incrivelmente emocionante do local tinham a visão privilegiada do Cristo Redentor, o casarão histórico foi um presente de um milionário a sua amante, o jardim é incrível e no salão principal um piscina incrível e muito convidativa, até que lá pras tantas um casal de bailarino se despiram e caíram na água...um dos momentos mais fantásticos da festa.





Pororoca com a Cia. Lia Rodrigues no Teatro Carlos Gomes, vigor e fúria, caos, sutil descaso, um trabalho que encanta pela pseudo limpeza dos movimentos entrelaçados, cenas que chocam e encantam, humor vivo e técnica apurada gostei tanto que nem senti falta da musica, pois o trabalho é inteiro sem musica, mais o ritmo dos corpos e a forma como as cenas se misturam e se separam em constante e sonoros movimentos por si fazem a musica e dança, foi sem dúvida um dos grandes trabalho que vi nos ultimo anos.

Assisti também, "Ai ai ai" do piauiense Marcelo Evelin que brilhou e principalmente me fez mais ainda admira-lo, tinha visto o solo quando cheguei em Teresina na primeira montagem desse trabalho acho que 1999 ou 2000, e ver agora me deixa com uma sensação de reviver mais num contexto totalmente distinto, o certo é que hoje pude ver esse trabalho com um olhar mais apurado e assumo que Marcelo tem ali uma profunda e emocionante pesquisa, é um trabalho de encher os olhos. Por aqui respira-se dança ainda farei dois espetáculos e mais duas maratonas nas estações de metro Flamengo dia 12/11 as 13h e nos dia 13/11 as 18h em Ipanema. Fico aqui repleto de planos e ansioso para voltar a Teresina.

Valdemar Santos